Nunca serei boa mãe

Matei três preás de tanto apertar antes dos meus cinco anos. Tinha nove quando dei um pintinho azul que ganhei na feira para o gato do vizinho comer. Com doze, minha coelha Virgília teve dois filhotes que não mamavam de jeito nenhum. Sem querer, acabei afogando o marronzinho numa tigela com leite de vaca. Já perdi as contas de quantos caranguejos joguei na panela de água quente. Siris, eu lembro: asfixiei quatro em um cooler. Um dia desses arranquei a cabeça de um rato com um grito e um cabo de vassoura. Percevejo eu mato sempre que aqui em casa dá muito. Gente nunca matei. Só a minha avó, em sonho, uma ou duas vezes.